A civilização nasce por consciência de (se) cobrir, de (se) abrigar e de (se) gestar (a quem depende de uma forma de vida, de um meio de existir/ver [domus]), mas seu reconhecimento a partir de um entendimento quanto a um papel civil de indivíduo em relação ao Estado só foi historicamente possível no século VIII a. C., na Grécia da Antiguidade das cidades-estados, correlacionadas aos patriarcas milenares que foram um fenômeno de hierarquização de direitos e de obrigações por natureza distintas de situações, estando o indivíduo abrigado à força da organização voluntária em que se formaram as sociedades.

Formas de sociedades nas quais os valores que devem ser compreendidos conscientes pelo indivíduo, estão no fato de possuir ou não o indivíduo de discernimento e de juízo para se ter, desse domínio de si, uma base a sua autodeterminação de indivíduo com decisão durante os momentos históricos nos quais poderia passar. É nesse cenário de natureza clássica respaldada pela consciência do indivíduo que pensa e racionaliza seus meios de entendimento que se chega a apontar um fato promissor para a expansão micênica que irá confrontar várias das fronteiras de outros impérios de sua época. Foi na última fase da Idade do Bronze na Grécia Antiga, abrangendo o período de aproximadamente 1 600–1 100 a.C., que se deu uma primeira civilização, nesse sentido, avançada na Grécia continental, respalda pelos seus estados palacianos, pela organização urbana, pelas obras de arte e por um sistema de escrita em desenvolvimento.*

Pelo mar Egeu, o comércio entre vários povos tornou a Grécia hegemônica militar e economicamente na região, por séculos, com a introdução de inovações militares e de engenharia de infraestrutura e de arquitetura reproduzidas em toda a costa Mediterrânea.

Por necessidade de autodeterminação, o desenvolvimento da retórica (rhêtorikê) é reconhecido como uma arte de falar bem desde os gregos antigos, sendo um conjunto de técnicas que compunham a atividade política, filosófica e cultural da pólis. Os pensadores, chamados sofistas, do século V a. C., não tinham uma doutrina comum e voltavam-se ao ensino com um fim instrumental, sendo habilidosos oradores pelos quais as pessoas compreendiam a importância das palavras e do uso da lógica na comunicação. Esses pensadores, que ofereciam, assim, seus serviços, foram criticados por Platão e por Aristóteles, em suas respectiva épocas de vida, considerados instrutores itinerantes contratados para ensinar retórica para fins políticos (pólis), de onde a palavra "sofisma", em grego, significa “fazer raciocínios capciosos”, numa forma de se comunicar dentro de um raciocínio lógico a persuadir as pessoas sobre inverdades – ou verdades distorcidas.

A arte da oratória nasce com o ato de falar para um público ("res" latina). O civil, partícipe de uma civilização autodeterminada por alguns princípios de laços consanguíneos e determinados por disputas entre fronteiras administrativas relacionadas aos limites culturais, como veio a se tornar o período micênico, traz o cidadão para a sua pólis como um membro partícipe que atua pelo seu discernimento quanto à sociedade em que pretende concretizar sua cidadania, posição determinante ao futuro em que todo cidadão, comum à pólis, deverá se encontrar, diante do que é a natureza do público quanto às intensões de discurso de compromissos assumidos, e que foram discursos originados sob pontos de vista subjetivos de cada cidadão micênico, solidário pelos interesses nos empreendimentos além mar, a toda costa do Mediterrâneo. E mesmo antes de ser compreendida como "arte", a oratória teve suas origens mais remotas ligada ao papel daquele que ora, o orador, geralmente considerado sacerdote religioso que pratica a prece por alguém que dela precise, recebendo, o religioso, abrigo nos templos, sendo esses últimos formas de organização das relações humanas distintas da vida civil.

Sobretudo, é a constante da oração, da oratória à retórica como conhecimento lógico aplicado de que depende toda forma sujeita a um arbítrio humano, que se tem uma consciência subjetivamente livre em que é admitida como uma parte igual e complementar na intrincada rede de conhecimentos clássicos em que se originam as nações modernas.

Egídio Mariano

Em "Estados de civilidade: uma história sobre tecnologias", de minha autoria, trato da organização das palavras pela determinação da escrita secular e ancestral às civilizações, abordando na segunda parte do livro "Dos padrões às Civilizações" , as origens das civilizações enquanto compreensão da natureza da "physis" a que desperta o ser humano ao se pensar como ente à parte da existência, quando os conceitos são questionados e os limites de seus significados explorados por um maior entendimento do que represente uma existência. É desse plano subjetivo de se poder compreender em igualdade de forma existencial que nasce o plano da civilidade para a Grécia Antiga e é o que se defende, sobretudo, em suas empreitadas comerciais além mar. Como um povo estrangeiro, soube explorar as questões culturais, produzindo obras de estudos a respeito de terras como as do Nilo. Foram hábeis em questões diplomáticas importantes, surgindo desse período alguns dos tratados mais antigos firmados entre povos estrangeiros a respeito de limites administrativos de fronteiras.

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Sobre o autor

Sou pesquisador independente com formação bacharel em Letras, atuando como escritor, editor e produtor de conteúdos web, especializado em Planejamento e Gestão Estratégica, com Docência ao Ensino Superior e Educação à distância (EAD). Sou autor de "Estados de civilidade: uma história sobre tecnologias" (artigos); "Cartilha de Jack & Janis - Uma sátira da vida conjugal moderna" (novela) entre outras publicações.

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