Série Intérpretes Presentes

Et mater est

A “Mãe Una”, “Regina Familiae”, “Ora pro nobis Sancta Dei Genetrix”, que é geradora de toda vida por ser mãe primordial à existência terrena, da qual natureza tudo que vive descende.

A natureza das dimensões dos corpos físicos no espaço é a primeira leitura de uma observação geral que pode ser feita pelos cinco sentidos humanos, nas três dimensões observáveis de altura, de comprimento e de largura, isso de qualquer objeto tridimensional, compreendendo-se que sejam as três faces dimensionais de uma percepção mais básica humana e que está sensível às dimensões de uma natureza material que se encontra em contato com elementos básicos à existência da vida e que são a água, a terra, o fogo, o ar e o espírito, sendo esse último de uma emanação liberta em essência pela concepção co-criativa do cosmo humano ao plano divino em que ele interage, como parte da criação, quando o ser humano se materializa, por meio do som, como espírito de uma criação que dá ânimo a todos os corpos, pelo qual existe um movimenta por dois padrões em que se vive a individualidade de uma existência que está em uma constante transformação de seus meios de chegar à própria consciência de existência.

No Tarô, a energia deste espírito humano se mostra pela mulher de uma natureza divina que está representada pela carta “A Força”, e que é capaz de controlar seus instintos de formas primárias ao estar representada em pé, tendo preso junto ao ventre e a si, um leão que ela consegue manter sob seu domínio ao ter a boca do animal aberta com suas mãos, e, portanto, representar uma mulher com o poder de dominar o “animus” de um leão, possivelmente em conotação arcaica à Cibele, deusa da Antiguidade pré-cristã.

São, então, forças de civilidade relacionadas à sensibilidade de uma criação feminina quanto a um entendimento de ser mulher que estão na imagem de um domínio sutil dos meios necessários para se compôr um mundo natural [cosmos] relacionado diretamente à vida, como um meio à justiça e ao claro equilíbrio das forças que dão sustentação a qualquer objeto tridimensional e cultural que pode ser compreendido:

a) em sua geração, por uma natureza indômita, quando a tradição cultural de constância das formas estabelecidas contrasta com o ímpeto de disruptura com que o novo é gerado ao espontâneo de sua criação, (ver “ankh”)

b) ou sob um importante autocontrole interior para a percepção de existir uma consciência que determine os sentidos da criação para a finalidade da luz advinda de alguma sabedoria celestial e atemporal originária, a que se retorna pelo conhecimento (ver “djed”).

É a materialidade de um objeto qualquer, portanto, que “nasce” composto em ao menos em três dimensões básicas e estruturadas para que ocorra o fenômeno da manutenção da vida, pois, uma vez que qualquer objeto da criação ganhe ânimo e uma vontade própria, passaria a ser considerado um ente de natureza viva motivado por um grau de consciência de sua individualidade conforme as espécies de existências conscientes sujeitas à materialidade dos seus meios à realização, e entre esses, por meio do som. 

Figura de Gudea – construtor de templos, se supõe a pedra fundamental das edificações sagradas (bronze: n. 1908,0417.2, AN32433001 do acervo de imagens do Museu Britânico) britishmuseum.org

Então, os três lados dimensionais que se encontram à face de uma pirâmide, estão como um caminho à percepção de uma materialidade de um objeto criado que tenha base (leia-se: “pedra de fundamento”) para se compôr com a sutil quarta dimensão em perspectiva, essa, então, ligada pelo notável elo de sua existência como por um cordão umbilical energético com que a vida, individualizada, anima um corpo em relação aos seus próprios modos de se perceber em manutenção sobre o planeta Terra, numa expressão, que a bem de entendimento maior, se origina como “Gaia” entre os gregos antigos. 

Além do Monte Olimpo grego, também na China e em outras regiões do mundo se encontra, de maneira muito comum, uma representação geométrica da existência material através do desenho de um quadrado, como sendo a representação de uma base estrutural a um mundo tridimensional que se encontra sob domínio humano e entre ele e o divino, já que pela lógica de alguma ideia quanto à criação, é esse último plano que sustenta todos os demais na essência de uma concepção: é como acontece a um tabuleiro em que descansam as peças das fundações de uma criação cosmogônica terrena, tal qual estivesse a Terra conhecida sobre um casco de tartaruga que, como animal mítico representado em diversas culturas, possui a características de levar, consigo e por meio de si, seu lar, como ocorre a um caracol e a outras espécies de animais com couraça dentro da qual se protegem de inimigos e de predadores.

“Animus”, portanto, é o que dá movimento à vida que está sustentada por um sopro de espírito de uma co-criação humana-divina que se encontra concebida na concepção de uma dimensão muito sutil e essencial a tudo que é criado sob o Sol nesse micro cosmo dimensional.

E para a antiguidade grega, o sopro da criação é mantido constante pelas orações em que estão compreendidas os cinco elementos essenciais à vida conhecida; orações que, juntas, estabelecem o mundo natural como um fenômeno nominado Gaia, de qual natureza da criação nasce a matéria, ou unum terram, terrenal natureza da materialidade que está sob a forma de uma essência em que foi concebida à percepção de uma realidade, e nesta, como objeto criado, se vivo, está regido por processos biológicos de nascimento, de amadurecimento e de morte como uma passagem a um novo modelo corpóreo em que o gestar um ciclo completo em si é como saber de um inteiro processo que vem a ser uma individualidade em um “novo mundo”.

Mater, de que leite provê de alimento originado de seu próprio corpo ao amamentar o ente de sua co-criação, dada por mística rosa, que é símbolo de uma compreensão plena e elevada a respeito de uma essência com elementos muito sutis de onde nascem sua concepção e sua realidade.

ma'ter - ma'et - maat

A origem da vida vem do equilíbrio entre forças opostas que movimentam os corpos ao ânimo da existência. No Antigo Egito, “parir era um fenômeno mágico” com que a criação dotava o nascimento com uma parte individual de energia chamada “heka”. Não à toa para os egípcios surge uma deusa, nas primeiras dinastias faraônicas, chamada “Weret Hekau” que singulariza um domínio mitológico ao se personificar através dela os poderes sobrenaturais, significando seu nome “grande da magia”, em que “heka” representa o nome dessa energia sutil que é compreendida como potência mágica a ser realizada na materialidade da criação. Também não parece ser à toa que essa deusa seja dedicada à proteção das lactantes e das mulheres grávidas, usado seu nome como um amuleto inscrito em facas de marfim.

Deusa Uret Hekau “Grande da Magia”

E como uma divindade dedicada à proteção, amuletos com seu nome apareciam de maneira comum em objetos funerários, principalmente armas, para permitir que o falecido se protegesse contra os perigos do submundo.

Relacionada à ideia de mantenedora e de alimentação, a vaca tratava-se de um animal adorado pelo que proporcionava ao modo de vida egípcio: a nutrição do leite vinha da vaca celeste, representada graficamente por um círculo no meio de dois cornos, símbolo que aparece como fundadores das civilizações.

A deusa Hathor (em egípcio: ḥwt-ḥr) do Antigo Egito, deusa do céu, era a mãe ou consorte do deus do céu Hórus e do deus do sol Rá, mãe simbólica de seus representantes terrenos, os faraós. Representava a arte da música, da dança, da alegria, do amor, da sexualidade e do cuidado maternal, em favor da mãe e de seus filhos, exemplificando uma concepção egípcia da feminilidade da mulher. Era deusa que cruzava as fronteiras entre mundos e ajudava as almas mortas a passarem para o pós-vida.

Representada como uma vaca sagrada, Hathor simbolizava o aspecto maternal e celestial da mulher, aspecto em que figurava o adereço de cabeça formado por chifres de vaca e por um disco solar. Hathor, ainda, poderia ser representada por uma leoa, por uma cobra ou por uma árvore de plátano.

Posto que maternidade era um fenômeno anterior ao nascimento, também se tratava de um período de grande ocupação quanto à saúde da gestante que gerará o rebento. O aspecto mágico de sua capacidade de gestar vida e parir um ente independente de seu corpo na maturidade prevalecia nas observações constantes de cuidados. Parir uma criatura, pôr ao mundo parte da criação, envolviam riscos de toda ordem. Por isso, um mago lhe prestava assistência frente à presença de maus espíritos, fazendo intervir gênios bons munidos com facas de forma a serem manuseadas eficazmente contra os mais terríveis adversários. O mago era quem apelava aos deuses superiores por auxílio ao parto, sendo Hathor e Isís as deusas comumente invocadas.

Estátua de Ísis cuidado de Hórus, c. século VII a.C. (imagem wikimedia.org)

A deusa Isís seria a representação maternal por excelência, principalmente quando, durante o período faraônico do Império Novo, as características da deusa Hathor, como os cornos e disco solar, lhe foram acrescidas, facilitando uma maior disseminação de culto entre egípcios e gregos da Antiguidade. E seu auxílio materno era invocado em feitiços de cura que beneficiavam o povo, tornando-se uma deusa popular a desempenhar um papel mais proeminente em práticas funerárias e textos mágicos. Foi absorvida pela cultura helenística de Roma no século I a.C. e o culto a Ísis tornou-se parte da religião romana com festivais como o Navigium Isidis, ou parte das cerimônias de iniciação semelhantes a cultos de mistério greco-romanos.

Ísis poderia representar a união de todos os poderes divinos femininos do mundo e um dos seus símbolos, o elo cíclico e observável em todas as mulheres numa versão feminina da representação da vida “Ankh”, chamada de “Tyet”, símbolo de que não se conhece origem.

A deusa Ísis, por seu poder mágico, era provida de grande astúcia que lhe permitiu trazer seu consorte Osíris da morte, assim como protegia e curava seu filho Hórus. E em razão desses conhecimentos, a deusa Ísis era evocada nos prólogos em textos mágicos sobre eventos que se queria atingir como método de se ter o objeto de um pedido feito. Ísis tinha ligação com o Sol como uma deusa protetora da barca de Rá, assim como com a Lua, num sincretismo possível com a deusa lunar grega Ártemis feita por uma ligação em comum com a deusa Bastet, a deusa da fertilidade egípcia e protetora dos gatos. Era, portanto, a Senhora do Céu até início da era cristã ocidental no Oriente.

Nos tempos ptolemaicos e romanos, os templos continham adaptações antigas das divindades locais à imagem de Ísis como a criadora, “da mesma maneira como textos antigos falavam sobre as obras do deus Ptá”, o que se projetava por um intelecto feminino, o esculpia para uma existência através do coração que o concebia e pelas mãos que o moldavam.

Entre 1550–1275 a.C., Tyet, amuleto de Isís http://www.metmuseum.org/art/collection/search/548207

A deusa Ísis era cultuada de diversas maneiras, tendo centros individuais de culto em que cada característica de sua personalidade era cultivada por seus aspectos e traços distintivos de sua divindade, embora compreendida universal ao se observar os hinos a ela dedicados nos cultos de outras deusas, tanto no Egito quanto no Mediterrâneo, como manifestações da própria deusa Ísis. O símbolo de “tyet”, uma forma circular similar ao “ankh”, era-lhe emblema de sua personalidade no começo do Império Novo, sendo frequentemente feito de jaspe vermelha, cor representando o elo de ligação com o sangue da deusa. Era usado como amuleto funerário e dizia-se que proporcionava proteção. A cor correspondente ao sangue, um dos dois elementos viscerais à carne viva, eliminado ciclicamente de tempos em tempos pelas mulheres e pelas fêmeas mamíferas, era possivelmente um elo simbólico a uma mesma natureza terrenal de dependência físico-química da criação por meio do feminino. No símbolo do “laço de Ísis” haveria o elo cíclico de tudo que se gera, e se gera a partir do que se concebe um ente inteiro após a sua gestação, um ente vivo em cada fêmea fértil à concepção.

As transformações dos aspectos femininos de deusas pelas culturas são corriqueiramente tratadas como aspectos menores quando implicadas na constituição dos valores civilizatórios, embora, na verdade, todos os valores civilizatórios originados da Antiguidade Egípcia em diante nascem de uma referência apenas a uma deusa, Maat, deusa sob a qual o próprio Rá está sujeito a atender os seus desígnios, sendo ela a “Senhora da Justiça e da Verdade”, dupla que é centro de toda cosmogonia egípcia pela qual se revela simbolicamente pelo desenho da balança de dois pratos que ladeiam um eixo principal de apoio, muitas vezes triangular, e que serve à percepção de que os pesam de ambos lados se encontram em um equilíbrio como duas forças opostas. Um símbolo equivalente à carta da “Roda da Fortuna” que, no tarô, é caracterizada por um eixo sobre o qual um circulo firmado no centro pode girar a um desenvolvimento ou a uma deterioração de um estado inicial organizado do cosmo, sendo forças criativas e propositivas contrárias às forças de degeneração, às estanques, às deterioradas e às reacionárias à consubstanciação da vida.

Estatueta de Ísis-Afrodite, século II a.C. http://www.metmuseum.org/collection/the-collection-online/search/544919

Hekau - Hekate - Kemet

Por muito que valorizassem o poder que o nome conhecido teria sobre o ente vivo, é curioso que o termo pelo qual ficassem conhecidos, fosse um termo estrangeiro com certo tom pejorativo a quem era tido por feiticeiro, mago, profeta e sábio, a quem os gregos nomeavam de “Aegyptius”, ou egípcios, dando ao origem ao “Egito”. No entanto, o povo multifacetado que ocupava o grande vale do Nilo, foram nomeados pela característica das terras que ocupavam, de cor preta, nomeada “Kemet”.

Naquela região, os habitantes eram famosos por intensa natureza supersticiosa a respeito de tudo em torno do quê habitavam. A superstição, no entanto, não estava presa às crendices, mas aos estudos que poderiam já se chamar científicos com crescente contribuição das escolas filosóficas que por lá transitavam em busca de um conhecimento sobrenatural das causas do mundo. Por isso, essa característica identificava tipos de pessoas com medos de forças superiores à dimensão do que conheciam, de forças ocultas que os gregos chamavam pelo sentido de daimones.

Em outras palavras, tratava-se de uma força ou de um plano de existência sujeitos a influências de pessoas, de lugares e de situações evocadas pelo poder da oralidade do encantamento obtidos em ladainhas de cultos, sob os quais o ser humano estaria invisível, sem contato direto, embora sujeito.

Nessa força, conceitualmente nomeada de “magia” pelos egípcios, era a que nomeavam de “hekau” com aspectos positivos e negativos relativos ao movimento do sinal com que significava a força do nome citado, e dessa forma havia entendimento de um bem e de um mal com o propósito de uma existência sadia ou adoentada na passavam dos vivos pelos portões da existência após a morte**, por isso era tão determinante que as fórmulas e preces fossem feitas por um mago, nome que designava originalmente os sumo sacerdotes da Pérsia, mas que, em grego “mageia”, já se usa como pejorativo a uma população de pessoas crédulas, embora poderosas.

No Antigo Egito, os magos são identificados com Hórus, filho de Ísis, e recebem a proteção de seu Olho, “Rx”, que os protegem contra qualquer morto e contra qualquer morta, seja ao sul, ao norte, a leste ou a oeste, afastando-os da morte e os abençoando com uma vida longa e com muita saúde. Por meio dos magos, principalmente as do Oriente, buscava-se respostas às doenças, aos infortúnios possíveis, aos amores não correspondidos, a toda sorte que pudesse ser tirada, tomando-os por profetas muitas das vezes. Sobretudo, tinham o poder que correspondia ao poder do sopro da criação do próprio Deus com que abençoavam ou amaldiçoavam uma população. No Egito, a magia dos ritos era um contínuo se pôr no mundo multidimensional da vida e da morte. Os ritos de abertura da boca, da abertura dos olhos ou dos ouvidos passavam necessariamente pelo sopro do mago a cada um dos orifícios onde pudesse ser dito o nome do morto à memória futura. Um rito de programação onde a chave do seu conhecimento se estabelece pelo verdadeiro e íntimo sentido da criação de uma palavra qualquer, um nome principalmente, cuja energia é “k”, da qual decorre a capacidade mágica de indivíduo ser nomeada “heka”, e que, enfim, na magia funerária do Antigo Egito ressuscita o morto pelo seu nome, o que torna o processo de mumificação, também, uma atividade mágica, em que se faziam prevenções a ataques possíveis em razão de um grande repertório de invocações, fórmulas e preces relacionadas, muitas delas registradas no Livro dos Mortos, nos Textos das Pirâmides e nos Textos dos Caixões.

mageia - magoi - mago

O mago, em si, é um estado de potência em que deve ele estar completo, equipado, dispondo de seus membros, posto que o pronunciar de um termo qualquer por um mago consistia na realidade de modelar uma imagem espiritual em que se revelaria uma essência de um ser. Sabe ele, o mago, das falas a serem repetidas nos ritos em que se incluía em serviço. No Egito Antigo, cada ser possuía um nome secreto cujo sentido da sua criação era a própria essência do envolvido. Por isso, o mago era reconhecido pelo poder da fala ritualizada, servindo-se dos sons como uma matéria animada que age sobre o exterior, modificando-o a partir de uma essência.

Foram magos concebidos como seres panteicos, nos quais uma potência acompanha os poderes decompostos sob uma forma visível, poderes analisados e justapostos à imagem do nome que o contém.

O mago é, também, didático ao lidar com as limitações do seu público a partir da magia do conhecimento de conceitos pelos quais transforma a visão de seus ouvintes, certo de que eles verão de outra forma depois de se reproduzirem pela som de sua voz os encantamentos: no reino dos mortos, é preciso antes recordar o próprio nome, pois cada nome divino é formado por letras-mãe que fornecem o significado esotérico de cada personalidade divina*.

 Vencer a morte para um mago é uma missão possível nessa mesma lógica de personalidade capacitada a alongar a própria existência pelos meios de seus conhecimentos.

Por isso, magos, bruxas ou feiticeiros eram geralmente temidos e respeitados. O próprio faraó temia a bruxaria e tinha seus feiticeiros e bruxas de plantão para protegê-lo. 

As mulheres eram consideradas entidades poderosas por natureza do sangue menstrual, o sangue, animus/anima do ente vivo, concentraria a energia mágica “hekau” a ser representado pelo objeto considerado de maior poder feminino que era o Tjet, ou o Laço de Ísis, sendo um dos títulos de Ísis, a da deusa Weret-Hekau, que significava a Grande Mágica, ou o poder da magia, predominantemente, simpática, capaz de animar objetos inanimados como o sopro de um mago às gravações místicas, ou como maldições sobre bonecos de cera, muitas vezes feitas por mulheres idosas, que não mais menstruando, eram paradoxalmente vistas como as mais poderosas, pois o estado de potência se mantinha nos seus corpos, e, por isso, temidas 24 horas por dia, 7 dias na semana, de tal forma que sonhos, visões a partir de oráculos e de algum transe por uma possessão espiritual estavam entre as capacidades mágicas dessas mulheres quanto às fontes de informação de que se serviam para se resolver questões.

Os sacerdotes de Ísis, as de Hathor, as de Bast e as sacerdotisas de Sekhmet tinham conhecimento sobre Tjet como laço comum a toda causa feminina de entendimento quanto a uma eficácia mágica temida pelos sacerdotes núbios e cristãos, designadas de bruxas com atribuições ardis de se disfarçarem em animais e de terem a habilidade de voar, transformadas em gansos selvagens.

Contudo, competia ao mago prestar assistência à parturiente. Não à toa, o mesmo poder sobrenatural ligado ao termo supersticioso que compreenderia o sentido do nome “egípcio”, teria entre os grego o nome de “dynamis”, de que se interpreta, também, um poder sobrenatural, equivalente a potestas e a virtus latina. O mago, originalmente um membro entre os caldeus, casta de governantes da Babilônia, era um sacerdote e estudioso astrólogo que logo assumiu o papel de adivinhador dos desígnios das pessoas que os consultavam por todo tipo de razão. Sobretudo, era quem intermediava como mensageiro entre planos distintos as boas graças ao parto da criança e os cuidados após o nascimento.

No Antigo Egito, algumas das funções de um mago ligava-se à saúde da mulher, e a medicina mágica tenha sua origem nessa relação de importância à realidade egípcia. E não se trataria de uma relação de sentido artificial por algum propósito mágico, mas seria uma ciência teórico e experimental cuja base fundamental era trazer ao corpo humano um estado de harmonia com o Cosmo. Quando um paciente dessa medicina se encontra atingido por uma doença, de uma dor, trata-se de uma força negativa e hostil à pessoa, a quem o médico-mago deve tratar pela causa e não pelo resultado do efeito, tratando a potência invisível e irracional que perturba o organismo, daí um farto e completo estudo médico a partir das queixas de uma parturiente e de uma lactante. De cólicas infantis há tratamentos desde terceiro milênio antes  de Cristo, para se ter uma ideia.

O mago, nesse papel, tinha a proteção do sangue da deusa Ísis, representada sua iniciação nos mistérios femininos. É Ísis que o orienta sobre ervas e os meios de cura relacionados ao corpo da mulher, é o mago que, como amante, está junto à deusa Ísis no espaço definido de um tapete estendido, e onde quer que o mago leve aquele tapete, leva consigo o espaço do templo dentro do qual ele acessa o conhecimento dos deuses com os quais se comunicava para além do tempo dos mortais, pois são nos templos que a magia está onipresente, a título de ser a Casa de Vida de um mago egípcio.

Próxima postagem, não perca “Tapetes orientais”.

 

Para ir além:

*Citado da página 70 de:

JACQ, Christian. O mundo mágico do Antigo Egito. RJ: Bertrand Brasil, 2001.

** Dos Textos das Pirâmides, conforme JACQ, 2001; p. 63: “o morto não partiu morto, mas sim vivo”.

Oração a “Nossa Senhora”, ladainha em latim e português https://quemrezasesalva.com.br/oracao/ladainha-de-nossa-senhora

Hékate, deusa em https://www.artesfatos.com/culturas-em-transicao/arte-fundamental/

https://pt.wikipedia.org/wiki/Tyet

https://www.metmuseum.org/art/collection/search/548207

 https://pt.wikipedia.org/wiki/%C3%8Dsis#:~:text=%C3%8Dsis%20(em%20eg%C3%ADpcio%3A%20Aset%3B,para%20o%20mundo%20greco-romano.

https://pt.wikipedia.org/wiki/Hator
 

https://pt.wikipedia.org/wiki/Maat#:~:text=Na%20religi%C3%A3o%20eg%C3%ADpcia%2C%20Maat%20ou,era%20o%20irm%C3%A3o%20de%20Maat).

https://en.wikipedia.org/wiki/Werethekau
 
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Sobre o autor

Sou pesquisador independente com formação bacharel em Letras, atuando como escritor, editor e produtor de conteúdos web, especializado em Planejamento e Gestão Estratégica, com Docência ao Ensino Superior e Educação à distância (EAD). Sou autor de "Estados de civilidade: uma história sobre tecnologias" (artigos); "Cartilha de Jack & Janis - Uma sátira da vida conjugal moderna" (novela) entre outras publicações.

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